Comparando Maryland E Virgínia

morar na Virginia e Maryland
por citronsmurf via flickr


Já temos entrevistas separadas de Maryland e da Virginia porém adicionaremos mais um ponto de vista à vida nesses dois estados e quem nos conta sobre isso tudo é a Nadine, do Próxima Curva. Ela atualmente vive na Irlanda mas já morou tanto em Maryland quanto na Virginia por dois anos.

Saiba mais das diferenças e similaridades da vida nesses dois estados americanos e o que você precisa saber antes de morar neles a seguir:

Viver Nos EUA: Em que cidades/estados e por quanto tempo você viveu nos Estados Unidos. Em que parte do Brasil você morava antes de vir para cá?

Nadine: Sou da cidade de São Paulo e fui para os EUA para trabalhar como Au Pair de 2006 a 2008. Inicialmente, morei em Bristow, na Virginia durante um ano e depois em Potomac, Maryland durante o segundo ano. O processo para chegar nos EUA foi rápido e indolor. Não demorou muito e graças a Deus, tudo deu certo de primeira.

V.N.E.: Como foi sua adaptação e seu tempo de vivência nos EUA?

Nadine: Minha adaptação foi rápida, porém deu um trabalhinho. Sou muito tímida, então enturmar tanto com a família quanto com outras Au Pairs da região foi um pouco difícil.

Entrar nessa rotina e imergir na cultura deles demorou um tempinho. A parte mais difícil, para mim, ainda foi a comida. Hahahahaha Uma vez adaptado, a vida fluiu perfeitamente a ponto de eu me sentir completamente em casa mesmo estando em um país diferente. Depois de um tempo é fácil perceber que no fundo, no fundo temos muito mais coisas em comum do que imaginamos.

V.N.E.: Como foi sua adaptação de volta no Brasil? Como você lidou com isso e do que você sente mais falta dos Estados Unidos?

Nadine: Bom, minha adaptação na volta ao Brasil não foi nada fácil. Voltar a viver com meus pais depois de 2 anos, em um país que mudou bastante não foi uma tarefa simples.

O mais difícil de acostumar foi a questão da segurança e me adaptar de volta aos preços abusivos dos produtos no Brasil. Nos EUA, apesar do salário curto, era possível fazer tanta coisa mesmo com tão pouco.

O que eu mais sinto falta dos EUA, sem soar clichê mas já o fazendo, é das minhas crianças. Mas do país como um todo, para ser sincera, sinto falta do clima –não digo frio ou calor – mas do clima do país, das pessoas que sempre foram super simpáticas comigo, dos lugares lindos e das facilidades que a vida por lá pode proporcionar.

V.N.E.: O que mais muda, ao seu ver, ao se trabalhar e estudar nos EUA versus no Brasil?

Nadine: Quando você decide viver fora do Brasil, independente do lugar, o que mais muda é você, a sua visão ao ver as coisas, ver o mundo. O crescimento pessoal que se tem quando se vê que o mundo não é só Brasil é impagável.

Ver o sistema – embora não sendo perfeito – funcionando de fato e mais pessoas satisfeitas do que insatisfeitas, te coloca para pensar e de alguma forma tentar melhorar a sua vida ao voltar pra casa, você tenta trazer costumes que acha interessante, agregar aqueles valores à sua rotina.

O lado profissional também dá uma super valorizada e não só pelo inglês, mas pela coragem e senso de responsabilidade que você adquire ao sair da zona de conforto.

V.N.E.: O que você mais curtia em Maryland e o que você mais curtia na Virginia?

Nadine: Apesar de ter morado em estados diferentes, ambas as cidades eram super próximas à Washington, DC. Quando estava na Virginia, a distancia da capital era de mais ou menos 30/40 minutos.

Adorava me sentir no interior, com aqueles casarões típicos americanos, ruas largas, carrões. O que mais gostava era aquele clima de interior, onde todo mundo se conhecia.

Já em Maryland, morava na cidade de Potomac que ficava a 15 minutos da capital então já tinha mais proximidades com regiões mais populosas e comércio mais forte; já era uma cidade com mais cara de cidade. É incrível que a principal diferença das duas seja exatamente o que mais gostei em ambas.

Mas o melhor de ambas era a localização privilegiada: em minutos você saia de um estado e ia para o outro (VA, MD e DC), o facilitava bastante viagens de final de semana ou day trips.

 

V.N.E.: O que você menos gostava nessas duas áreas?

Nadine: O que menos gostava em Bristow era justamente que não tinha muito o que fazer. Tinha um mercado e um café perto, mas era só. De resto era só de carro e não era sempre que eu tinha acesso ao carro.

Já em Potomac, as coisas eram mais próximas e o fato de eu ter um carro só para mim já eleva a cidade a preferida. A locomação em Potomac, fosse a pé ou de carro era mais fácil e mais prática.

V.N.E.: Como você descreveria sua a vida nesses dois estados? O que mais mudou na sua vida ao morar em estados diferentes?

Nadine: Excluindo a grande diferença de estilo de vida que tive por conta das famílias diferentes em cada estado, o lugar em si não ofereceu grandes diferenças se comparado um ao outro.

As regiões em que morei são consideravelmente próximas (de carro era 40 min), então as diferenças de estado não existiam muito. Ambas as experiências me trouxeram um crescimento e um entendimento incomparável da cultura e costumes americanos.

V.N.E.: O que você fazia para passar seu tempo livre em Maryland e na Virginia?

Nadine: Geralmente sair para shopping, almoço ou janta fora com os amigos e baladas em DC. A proximidade da capital nos levava a baladas quase todo final de semana. E adorávamos aproveitar os finais de semana curtindo a capital e as cidades próximas como Alexandria, Arlington, Baltimore, Annapolis – cidades com muita história para contar e a poucos quilômetros de distância.

V.N.E.: Há um perfil “típico” de pessoas nessas duas áreas? Quais as diferenças dos perfis nessas duas áreas?

Nadine: Batendo na mesma tecla, o fato da proximidade das fronteiras não trazia muitas diferenças entre as áreas, contudo, o que notei é que em Bristow existiam mais casais jovens, com crianças pequenas ou mesmo sem crianças.

Já em Potomac, já eram famílias criadas, com crianças mais velhas e um poder aquisitivo maior. Diz a lenda que Potomac é uma das cidades mais ricas dos EUA mas eu nunca consegui afirmar, mas já vi muita mansão por lá.

Outra coisa é que em Potomac tem mais natureza, mais verde enquanto em Bristow as casas são maiores e o verde aparece mais nos quintais.

V.N.E.: Quais dos 2 estados nos quais você viveu você mais gostou de morar e se pudesse provavelmente moraria novamente? Voce visitou outros estados americanos? Onde foi e o que achou deles? Recomendaria algum(ns)?

Nadine: Eu gostei de viver nos dois – tento não deixar a minha experiência com as famílias interferir – mas acho, ainda, que ficaria com Potomac. A cidade me agradou mais pelo estilo da cidade, proximidade das coisas e maior proximidade da cidade grande (DC).

Enquanto estive lá visitei:

Se pudesse viajaria os EUA inteiro! Meus lugares favoritos foram Washington, DC e Chicago. Fiquei apaixonadas por essas duas cidades e seriam minhas escolhas de moradia se um dia voltasse. Já a que menos gostei foi Boston. Achei uma cidade sem graça, meio parada.

 

V.N.E.: O que brasileiros que desejam morar em Maryland devem saber? O que brasileiros que querem viver na Virginia tem que saber?

Nadine: Maryland tem uma colônia grande de Brasileiros – inclusive uma loja/mercado brasileiro e se você vai com intuito de aprender inglês, tem que saber disso. É bem fácil fazer amizade com quem compartilha da mesma cultura que você e por vezes o objetivo inicial acaba em segundo plano.

Então, se você planeja ir para Maryland – especialmente nas cidades próximas à DC, vai encontrar bastante brasileiro.

A Virginia é um estado bem grandinho e há muito mais para explorar do que somente a região fronteira com DC. A capital da Virginia, Richmond, é conhecida por ser uma cidade muito bonita e com uma rica história.

Em ambos os lugares encontrei somente pessoas simpáticas, sempre de bom humor e dispostos a ajudar. Tenho certeza de que quem escolher qualquer um desses estados terá uma experiência inesquecível.

V.N.E.: Que conselhos são os mais importantes, na sua opinião, para quem deseja vir como au pair para os Estados Unidos em geral?

Nadine: Principalmente saber que não é fácil. É uma responsabilidade muito grande tomar conta de crianças, principalmente em um pais que você não conhece e mais ainda em uma família que você nunca viu na vida.

Ter a cabeça boa e aberta é a melhor dica que posso dar. E saber quais são seus limites – se você não tem paciência com crianças, não faça esse programa só por fazer, para morar forma.

Lá você terá de ser uma pessoa madura e responsável, sem pai e mãe para poder se apoiar. É você por você mesmo, então você tem que estar preparada para isso.

No mais, aproveitar cada minuto e fazer tudo o que tem vontade – com moderação e juízo, é claro. E com a certeza de será o melhor ano da sua vida!
Termina aqui a entrevista com a Nadine. Agradeço a ela pela participação, dicas e cortesia das imagens. Você já viveu na Virginia e/ou no estado de Maryland? Conte para nós sua experiência nos comentários abaixo.

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