Como É Estudar Nos EUA Pelo CsF?

estudando nos EUA pelo CsF

Hoje falarei novamente com a Maiary (para quem não lembra ela também nos contou sobre sua vida em Vermont) e ela vai nos dizer como é estudar nos EUA através do projeto Ciência Sem Fronteiras, o qual tem enviado alunos brasileiros para estudar em todo o planeta e é um dos jeitos de vir estudar nos EUA. Veja a entrevista dela abaixo

 

Viver Nos EUA: Você poderia explicar para nós o que é o Ciência sem Fronteiras e qual seu objetivo?

Maiary: O projeto do governo Brasileiro, Ciência sem Fronteiras, tem por objetivo enviar estudantes de nivel universitario para estudar em outro país.

De tempos em tempos abrem-se novos editais onde os alunos se inscrevem pra participar do programa e ficar em media 1 ano fora. Em editais anteriores o aluno tinha a oportunidade de fazer curso de inglês antes dos cursos de graduação, mas agora tenho ouvido colegas dizerem que os novos editais não permitem, eles já exigem que você tenha fluência em inglês.

Estudando em outro país, os alunos tem a oportunidade de aumentar seus conhecimentos e ao retornar ao Brasil contribuir para as pesquisas brasileiras.

V.N.E.: Quais são os passos do processo de seleção?  Há uma restrição de idade? De tipos de cursos e tipos de diplomas ou não?

Mayari: O processo de seleção envolve muitos passos e leva um bom tempo até que você os complete. Primeiro você faz uma inscrição geral no site do CsF e pede autorização da sua universidade brasileira.

Depois que sua universidade aceita, vem o processo de Common Application, onde você é instruído a preencher um formulário com informacões pessoais e acadêmicas, além de enviar cartas de recomendações escritas por seus professores e algumas pequenas redações para explicar suas motivações.

Depois de ser aceito em uma universidade americana você vai completandos os outros passos pra mudar para os EUA, como tirar passaporte, visto, contactar a universidade…

Enfim, é bem trabalhoso o processo todo, mas você recebe as orientações parar tudo. Não há uma prova que você tenha que fazer para ser aceito, embora deva ter boas condições acadêmicas.

A única prova na verdade é a prova de proficiência na língua do país de destino, que você pode fazer por conta própria ou fazer a fornecida pelo governo.

V.N.E.: Como você se preparou para as provas?

Mayari:  Eu fiz dois anos e meio de curso de inglês  e fiz a prova na modalidade ITP, aceita por algumas universidades americanas.

O que me ajudou muito também foi o fato de quem sempre praticava inglês conversando com pessoas online, basicamente os chats que se pode encontrar por aí.

V.N.E.: Qual o nível dos alunos? O processo de seleção é difícil? Fácil?

Mayari:  Os alunos devem estar no nível de ensino superior. O programa oferece bolsas pra alunos de graduação e mestrado. Em geral o que tenho percebido que as pessoas têm em comum é a grande ambição de ter mais conhecimento assim como a coragem de sair da zona de conforto.

O processo de seleção não chega a ser difícil, eu diria que é muito trabalhoso, porque tem que preencher vários formulários, aplicações, correr atras de recomendações, tradução de histórico…

É realmente muita coisa para ir atrás e milhões de dúvidas surgem durante esse periodo, mas gracas a Deus exitem pessoas bondosas pra ajudar os outros, isso é, tem grupos no facebook onde você pode pedir ajuda, algumas pessoas que já passaram pelo processo criam tutoriais que facilitam sua vida e tudo mais…

V.N.E.: Todos alunos possuem o mesmo nível estudantil ou não?

Mayari: Acredito que sim, todos que conseguiram passar pelo processo são capazes e competentes, alguns um pouco mais e outros menos, mas todos são alunos muito bons.

Isso eu falo da minha experiência aqui com as pessoas que convivo. Mas já ouvi falar de estudantes em outros países (não me lembro agora qual) que receberam reclamações das universidades por não estarem cumprindo com o esperado. Porém é só um comentario, não sei exatamente até onde isso é verdade ou não.

V.N.E.: Você precisou fazer teste de inglês antes da sua entrada na
universidade americana?

Mayari:  Sim, fiz o TOEFL ITP. Podia ter feito o IBT também, mas como era muito mais caro não o fiz.

V.N.E.: Quem cuidou do seu processo de admissão na universidade americana? Você ou os organizadores do projeto?

Mayari:  Quem cuidou desse processo foi o Institute of International Education (IIE), Isso aqui no caso dos EUA. Não sei qual é o orgão responsável dos outros países e como funciona.

V.N.E.: Qual o tipo de visto de estudante concedido para participantes desse projeto e quais as restrições que os escolhidos tem ao portar esse visto?

Mayari:  Ex.: trabalhar, viajar, sair do país durante o curso e qualquer coisa que você saiba a respeito. O visto concedido foi o J-1, que só nos permite estudar em tempo integral. Esse tipo de visto não permite que trabalhemos aqui. Não podemos sair do país sem autorização do IIE também.

 

V.N.E.: Você escolhe a universidade na qual quer estudar ou é o projeto quem decide onde você estudará?

Mayari:  No Common Application eles pedem que você indique 3 universidades que gostaria de estudar e justifique o porque com pequenas redações. Porém na maioria dos casos os alunos vão pra outras universidades, como foi o meu caso.

Isso acontece porque o IIE analisa o perfil de cada aluno em termos de area de estudo, nivel de inglês, entre outras características.

V.N.E.: Quanto tempo dura o programa? Você acha esse tempo suficiente para adquirir um bom aprendizado?

Mayari:  No meu edital o tempo era de acordo com o nível de inglês. Quanto melhor seu nível de inglês menos tempo aqui, isso é, se você tivesse baixo nível do idioma você deveria passar mais tempo estudando inglês aqui antes de começar os cursos de graduação.

Mas basicamente você fica aqui por dois semestres. Pela minha experiência, eu posso dizer é suficiente pra melhorar muito o nível de conhecimento em vários aspectos, tanto acadêmicos quanto culturais.

V.N.E.: Você conhece outros estudantes que vieram para cá atraves do CsF e qual o nível acadêmico deles antes, durante e depois do término do curso?

Mayari:  No meu caso e no caso de outras pessoas aqui, eu tenho observado que o nível de todos tem melhorado. É incrível ver como você pode aumentar tanto a sua capacidade em tão pouco tempo!

 

V.N.E.: Suas aulas são ministradas em inglês? Como são os professores?

Mayari:  Sim, todas as aulas são em inglês. Os professores são ótimos, bem preparados, sempre pontuais e objetivos. Os professores que tive semestre passado e esse semestre são bem atenciosos e dispostos a te ajudar com o que você precisar pra aprender a matéria, mas também eles são bem exigentes no que diz respeito a tarefas.

Aqui eles avaliam muito por outras atividades além de provas. Trabalhos, apresentações, textos, relatórios, preparação prévia ao laboratório…. São muitas as atividades!!

 

V.N.E.:  Quais as diferenças mais notáveis entre a universidade americana na qual você estuda e na sua universidade no Brasil?

Mayari:  A maior diferença aqui é que os professores são muito respeitados!! Acho isso lindo demais, queria que fosse assim no Brasil! Desde o ano passado até hoje eu nunca presenciei um professor chamando atenção dos alunos pra ficarem quietos, eles não conversam durante as aulas!!!

Os professores são exigentes como já disse, mas ensinam muito bem e dão apoio extra classe se você precisar. Estou em uma universidade particular, e sua infra-estrutura é muito boa, todas as salas de aulas são bem equipadas com multimídia.

As provas em sua maioria são compostas por questões descritivas, ou seja tem que estudar mesmo porque não da pra ”chutar” uma alternativa.

E o que é impressionante: os alunos não colam!!!!  Já aconteceu de professor deixar a gente no laboratório fazendo prova e ir pra sala dele, e eu não vi ninguém colando!

Aqui também não se divulga nota dos alunos pra turma toda ficar sabendo, cada um recebe sua nota de forma confidencial.

 

V.N.E.: O que você mais gostou e o que menos gostou na universidade  americana onde você estuda?

Mayari:   Gostei do modo de como os professores forçam os alunos a aprenderem por meios das atividades. Ou você aprende ou aprende, basicamente não tem escolha rs.

A não ser que você decida não fazer nada e reprovar na matéria, ou como acontece aqui, tirar um F. Mas agora em relação a minha univerisidade, o que eu mais gosto é que o aluno recebe bastante apoio.

Se você fica doente tem o ‘Health service’ aqui que você pode ir lá e eles vao te examinar e te ajudar no que puderem. Peguei influenza no começo do semestre e achei que ia me ferrar por não poder ir nas aulas, mas a enfermeira me deu atestado, me deu também autorização pra pegar comida no Einsten, e os professores super entendem quando o aluno não está em condições boas de saude pra ir pra aula.  E para ser sincera, não tem nada que eu não tenha gostado aqui.

 

V.N.E.: Você conhece algum aluno do CsF que já voltou para o Brasil e teve uma boa aceitação profissional por lá?

Mayari: Conheço pessoas que já voltaram pro Brasil, mas não tenho relatos de suas experiências e mudanças profissionais por lá, pois retornaram muito recentemente e ainda estão por terminar a graduação…

 

V.N.E.: Você tem dicas para alunos que estão pensando em se inscrever no CsF? Na sua opinião, vale a pena se inscrever nesse projeto ou você indicaria outro caminho acadêmico para quem deseja estudar no exterior?

Mayari: A maior dica é que quem quer participar desse projeto tem que ter muita muita muita vontade mesmo de estudar no exterior, ter bastante paciência pra correr atras de documentações e burocracias, e estar disposto a ficar longe da família e amigos por um bom tempo.

Eu super indico esse programa pra quem (assim como eu) não pode pagar estudos no exterior por conta própria. Você recebe todo o auxílio financeiro que precisa pra estudar fora.

Temos que admitir que o governo brasileiro está de parabéns pela criação e manutenção desse projeto, pois eu tenho certeza que isso mudou e vai mudar ainda mais a minha da profissional, vai me abrir muitas portas no momento de concorrer a uma vaga de emprego!

 

Termina aqui a entrevista com a Maiary. Agradeço muito a ela pela participação e dicas.

Você está nos EUA ou em outro país sob esse mesmo projeto? Tem dúvidas sobre o assunto ou simplesmente gostaria de adicionar algo ao texto? Comente abaixo!

 

Quer dicas sobre os EUA? Veja os ebooks da Lu!

Gostou da entrevista? Compartilhe!

More about Lu

Seja bem vindo à perspectiva de uma brasileira sobre a vida e cultura dos Estados Unidos. A Brazilian take on the American Way of Life.

Comments

  1. Lu vc já viajou para quais outros estados americanos tirando a Flórida onde vc mora ?!?E qual vc mais gostou e qual menos gostou?

  2. Oie, teria como fazer outra publicação ainda sobre o CsF e o custo de vida para o intercambio? Qual valor aproximadamente que precisa ser gasto para complementar as dispesas além da bolsa do CsF. Obrigado!

  3. Olá Wesley, obrigada pela sugestão. Artigos assim precisam de tempo para serem escritos, devido à pesquisa para escrevê-los. Aguarde.

Leave a Reply

Faça parte da conversa: