Dicas de viagem, Para imigrantes

Como É A Vida Em Maryland?

como é morar em Maryland
por jstephenconn via flickr

Continuando nossa série sobre a vida pelos quatro cantos dos EUA, a nossa entrevistada de hoje é a Maria O’Leary, ela veio para os EUA há 14 anos atrás e reside atualmente em Maryland. Ela é autora do blog Experiências de Viagens e vai nos contar um pouco da sua história, seu cotidiano e dicas para quem quer um dia viver ou quem sabe já mora aqui e quer se mudar para esse estado americano.

Friendsville no mapa de Maryland by Seth Ilys  [GFDL or CC-BY-SA-3.0], from Wikimedia Commons
 

Viver Nos EUA: Em que cidade e estado americano você mora? Há quanto tempo você vive nos Estados Unidos e em que parte do Brasil você morava antes de vir para cá?

Maria O’Leary: Meu nome é Maria O´Leary, moro nos Estados Unidos há 14 anos, sou natural da cidade de Conde, interior da Bahia, mas vivi mais da metade da minha vida em Salvador, onde me formei em Secretariado Executivo, pela UFBa.

Casei e tive 3 filhos, de um casamento anterior, agora tenho um netinho. Depois me divorciei e casei aqui, com um americano, essa a razão de ter mudado para a América. Embora vá todos os anos visitar minha família e meu país, que amo de montão, apesar das dificuldades e desastre político!

Moramos primeiramente em North Carolina, por dois anos, numa cidade chamada Louisburg, onde casamos, para ficarmos mais perto da família do meu marido. Mas depois decidimos sair viajando, uma vez que meu marido é aposentado da Navy (marinha americana).

E nos encantamos com a paz e contato com a natureza desse pequeno lugar onde moramos agora, Friendsville, em Maryland, há três horas de Washington/DC e há trinta minutos dos Estados da Pennsylvania e também West Virginia, também por ser um lugar onde o meu marido viveu boa parte da sua juventude.

 

V.N.E.:    Como foi sua adaptação, tendo em mente as diferenças entre a Bahia e os Estados Unidos?

M. O.: A adaptação no início foi difícil, principalmente no lado da culinária, pois não achava os ingredientes para as receitas que sabia fazer. Claro com a mentalidade e cultura brasileira arraigadas, levei um tempinho para achar os substitutos ou quando tinha chance comprava alguns itens em lojas hispanas por onde passava.

Outra adaptação difícil foi na barreira de linguagem, pois em localidades menores usa-se muitos jargões e gírias e o inglês que aprendi no Brasil era todo “certinho” cheio de regras, com o tempo fui aprendendo.

Fiquei muito tempo tentando me livrar do “sotaque” no inglês, mas depois vi que não era tão importante assim e que eu na verdade não queria me transformar numa “americana” nativa.

Outra coisa que precisei me adaptar foi o fato de que aqui não se tem grade nas portas ou janelas, as casas são próximas umas das outras e ninguém invade o espaço do outro e também o simples fato de você sair pela cidade e não ter que trancar sua porta com medo de alguém entrar e levar o que vc tem.

Embora haja áreas de crimes e assaltos nas grandes cidades. Essa é a vantagem de morar no interior. Fiquei muito tempo com o costume de trancar a porta de casa e do carro que levou um tempinho para relaxar (no entanto, de vez em quando ainda me pego perguntando: trancou a casa? rsrsr)

 

V.N.E.:    O que você mais curte na região em que você vive?

 M. O.: Bem, aqui na minha área eu curto muito o lado country, o contato com a natureza (que sou apaixonada) e também a facilidade de encontrar tudo o que preciso, mesmo sendo uma localidade pequena.

Como não preciso mais estar no mercado de trabalho, eu me dedico à jardinagem (que sempre tive paixão, mas nunca tive oportunidade de desenvolvê-la quando morava no Brasil) e, como disse anteriormente, a chance de estar viajando por ai, com meu marido. 

V.N.E.:    O que você menos gosta dessa área?

M. O.: Não ter transporte público; o medo que as pessoas ainda tem de outros vindo de fora tomar o “lugar” deles nos empregos. Por exemplo: aqui tem um ski resort e geralmente, na temporada de ski, eles recrutam estudantes e pessoas de outros países, tipo intercâmbio, para as várias modalidades de emprego e como há contratos diversos com um nível salarial um pouco inferior ao pago localmente, naturalmente as pessoas nativas são deixadas em segundo plano, então há uma certa hostilidade por parte de alguns. 

V.N.E.:  O que mais te surpreendeu nessa cidade e estado assim que você chegou aí?

M. O.: Me surpreendeu o acesso rápido e de navegação na internet (quando no Brasil, na época ainda usava o dial-up); última novidade em eletrônicos e computadores, constatando que o mais moderno no Brasil era já ultrapassado por aqui; que todo mundo, principalmente os homens sabiam como consertar e fazer as coisas.

Primeiro porque aqui não se têm cultura de ter ajudante do lar e aos homens são ensinados desde cedo nas escolas os conceitos de eletricidade, mecânica, hidráulica etc e todos sabem consertar canos, trocar e instalar tomadas, pequenos defeitos nos carros, passar ferro e assim por diante e segundo e mais importante, é que se não souber fazer vai pagar “o olho da cara”, pois serviços por aqui podem quebrar o seu orçamento.

Como não conhecia o lado “country” daqui, as pequenas cidades, enfim outro estilo de vida, achava tudo estranho, principalmente porque morar em Carolina do Norte era diferente de tudo o que eu já tinha conhecido nos Estados Unidos, pois só vinha aqui passear e como todo turista só visitei os lugares mais procurados e badalados que são Nova Iorque, Miami e Orlando/Disney.

Cheguei com vários planos de continuar a estudar e trabalhar, porém como já disse, meu marido é aposentado e gosta muito de viajar, deixei de lado esses planos para viver o que a vida estava me oferecendo, já que também me aposentei pouco tempo depois e sempre gostei muito de viajar.

Outro detalhe é que o sistema trabalhista aqui é bem diferente do que a gente conhece no Brasil, não se tem os benefícios que temos lá e nem pensar férias de trinta dias!! Dessa maneira, também não poderia ir ao Brasil visitar minha família todo ano, caso optasse por trabalhar! Pagar passagem cara e só poder ficar menos de um mês?? rsrsrs

Me surpreendeu muito também quando cheguei na América, ver os presos trabalhando nas rodovias e dentro do perímetro urbano, limpando margens, aparando grama. Claro que surpervisionados, mas no Brasil não via isso . Ver gente indo presa por simplesmente serem pegas alcoolizadas dirigindo.

V.N.E.:    Como você descreveria sua a vida em Friendsville?

 M. O.: Vida pacata, com amizades tipo “familia”, onde um compartilha coisas privadas com o outro e também lhe dá a oportunidade de ser útil. 

V.N.E.:   Quais atrações turísticas da sua área você já visitou e quais delas você ainda não visitou e por que?

 M. O.: Por morar agora numa localidade pequena, tem poucas atrações turísticas e todas são voltadas ao contato com o meio ambiente e com atividades aquáticas.

Já fui em todas: Swallow Falls State Park, Wisp Resort (é única estância de esqui alpino de Maryland. Ele oferece o ano inteiro opções de lazer: esportes de inverno – esqui, snowboard, snowmobile, raquetes de neve, bem como ciclismo, pesca, canoagem e golfe no verão e esportes aquáticos no topo da montanha, no adventure sports center.

Deep Creek Lake ( o maior lago de água doce de Maryland, com passeios de barcos de todos os tamanhos e jet-ski durante o verão e no inverno temos o famoso Deep Creek Dunk, que é uma corrida às águas geladas, onde é aberto um buraco no lago congelado para as pessoas pularem, num evento destinado a angariar fundos para instituições de caridade e também o ice-fishing) e Coopers Rock State Forest.

Enfim, canoagem, esqui, ciclismo, passeios de charrete, karts, caiaque, tobogãs na neve, ou simplesmente enrolar-se à beira de uma lareira ou fogueira ao ar livre. A beleza natural da nossa área é o destino perfeito se você buscar dias cheios de atividades ou simplesmente relaxar. Curiosidade: se quiser, terá a chance de ver ursos também, nos seus habitats.

V.N.E.:Quando seus amigos e familiares brasileiros te visitam onde você os leva e onde você jamais os levaria?

 M. O.: Os levaria em todos os lugares que mencionei acima, principalmente na Swallow Falls, que é uma reserva ecológica linda, com cachoeiras e lugares para banhos convidativos para passar o dia, mas há um que não levaria por achar perda de tempo (mas isso depende da visão e gosto de cada um) que é Coopers Rock.

Que fica aqui perto mas já no lado da West Virgínia (porque passa por uma trilha não muito conservada, observar o mirante com a paisagem dos vales se não gostar de ficar por lá para escalar montanhas, acho uma perda de tempo ir só para ver o mirante), mas isso é na minha visão.

a vida em Maryland
por random_michelle via flickr

V.N.E.: O que você faz nos fins de semana para relaxar e como é o lazer na  sua cidade?

M. O.: Caminhar no parque da cidade, no fim da primavera quando o clima é ameno e algumas vezes no verão, quando a quentura não está insuportável. Ir a Irish Pub local apreciar artistas locais e também não fugindo à regra, dá uma chegadinha aos malls, que ninguém é de ferro..rsrsrs.

Para os que gostam tem várias atividades aquáticas, como caiaque e canoagem no rio caudaloso que corta a cidade (uma das principais atrações da cidade no verão: é o rafting e caiaque).

V.N.E.: Há um perfil “típico” de pessoas que vivem onde você mora? Seja em personalidade, idade, nível educacional, aspirações ou qualquer outra coisa que você possa ter notado ao morar em Maryland?

 M. O.: A cidade é formada, na maioria, por pessoas aposentadas e trabalhadores da construção, além de abrigar vários empregados das três prisões federais que são localizadas em West Virginia, mas que fica a 30 minutos daqui (Parecem uma verdadeira fortaleza, mas tem toda uma infra-estrutura decente com médicos, dentistas, psicólogos, restaurante etc e são separadas: prisão masculina, feminina, de delinquentes juvenis e de “colarinho branco”).

como é morar em Maryland
por robr via flickr

V.N.E.: Você trocaria sua vida onde mora ou já pensou em se mudar para outra região/cidade dos EUA?

 M. O.: Sim, apesar de gostarmos daqui, pensamos em nos mudar para a Califórnia ou Geórgia, devido ao clima. Aqui na nossa região o inverno é muito rigoroso.

 

V.N.E.: Você já morou em outra parte ou cidade dos EUA? Como você compararia ela a cidade onde voce vive atualmente?

 M. O.: Como já morei na Carolina do Norte, eu posso dizer que ambos os lugares tem seus prós e contras.

  •  Prós de Carolina do Norte: não ser tão frio, os locais paradisíacos como os Outer Banks, beleza das montanhas  appalachian, high-tech jobs por ser perto do  Research Triangle park.
  • Contras: muitos insetos e calor de quase 40 graus no verão.
  • Prós de Maryland: Ser a terra dos “crabs” (adorooo!), ecologicamente: meio ambiente melhor que NC; prazerosos lugares ao longo da chesapeake bay para desfrutar momentos com a família; ter diversidade de atividades, para cada cada estação;
  • Contra: só o inverno rigoroso, com muita neve e temperaturas bastante negativas, esse ano chegou aos -20F.

V.N.E.: Com o que você se acostumou mais rápido?

M. O.: Nunca imaginei, mas me acostumei bem rapidinho em trocar o arroz por batata, a feijoada por salada e steak. Por incrível que pareça, aqui eu me acostumei a comer mais vegetais e legumes do que quando morava no Brasil.

Meu marido gosta de comer o mais natural possível, não somos adeptos à comida enlatada e nem de microwave. De vez em quando um hamburguerzinho ou sanduiches rápidos do wendy’s ou Burguer-king.

V.N.E.: Com o que você não se acostumou nos EUA até hoje?

M. O.: Até hoje, encher o tanque de gasolina eu mesma…kkkkkk (acostumada no Brasil o frentista abastecer) e também com tanto frio, por ser oriunda do Nordeste Brasileiro. Ahh e não ter outros tipos de bananas, só banana d’água….kkkk enchi!! (adoro uma banana da prata).

V.N.E.: Você já pensou em voltar para o Brasil? Quando isso aconteceu e por quê?

M. O.: Já pensei e ainda penso, somente por causa da saudade da minha família, principalmente que agora tenho um netinho, queria passar mais tempo ao lado dele, acompanhando o seu desenvolvimento.

Se não tivesse laços tão fortes familiares, não pensaria em voltar, só a passeio, porque está praticamente impossível viver e se acostumar com tanta corrupção e desmandos, sem vislumbrar uma saída.

Também aqui, não temos essa burocracia toda que temos no Brasil, abrir e fechar uma empresa é num piscar de olhos, o que você pensar para facilitar sua vida, você encontra aqui!

V.N.E.: Você tem algum conselho que gostaria de dar para aqueles que desejam morar na Carolina do Norte, em Maryland ou nos EUA em geral?

M.O.: Para aqueles que ainda pensam que viver o sonho americano é uma das sete maravilhas do mundo, não venham se pensam que vão ficar ricos de um dia para a noite. Mas se não tem preguiça de trabalhar e tem alguma reserva para investir nos estudos, aqui terá muitas oportunidades.

Não venham com a cara e a coragem, sem um suporte, porque senão podem ficar indefinidamente no mundo do sub-emprego, fazendo bicos aqui e ali para sobreviverem, pois a depender do lugar onde vá, o custo de vida pode ser muito alto.

Digo isso, porque conheço pessoas que passaram por isso e não conseguiram ficar. Tenham em mente que quem não tem assistência médica, não tem planos do governo feito SUS (que por pior que seja, no Brasil, se é atendido de uma forma ou de outra), paga-se caro por isso.

É bem verdade que ninguém deixa de ser atendido quando se tratar de vida ou morte (não consulta eletiva) mas a conta vem bem gorda depois para pagar.

 

Acaba aqui o bate-papo com a Maria. Quem quiser contá-la diretamente pode fazer através do facebook do blog dela, Experiência de viagens. Agradeço a ela pela participação, dicas e cortesia das fotos. Se você já morou na Carolina do Norte ou em Maryland ou simplesmente quer falar sobre esses estados, deixe seu comentário abaixo.

 

Fique ligado nas próximas entrevistas!

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Quer morar nos EUA? 

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14 comentários sobre “Como É A Vida Em Maryland?

  1. Bacana essa entrevista, faz pouco tempo que encontrei seu blog, gostei já de cara, e da forma como o Brasil está, estou pensando seriamente em juntar um bom montante de dinheiro e ir para os EUA. Já estou me esforçando para aprender melhor o inglês, inclusive mantendo contato pelo twitter com pessoas americanas para que eu possa melhorar a compreensão e o raciocínio, além da minha escrita no inglês. Já que as escolas não nos ensinam isso, e os cursos de escolas de linguas, cobra o olho da cara para ensinar inglês, ou qualquer outra lingua.

    Parabéns pelo blog, e muito sucesso com ele.

  2. Obrigada Lu, pelo convite em participar do seu blog. Esse é um blog realmente para quem quer conhecer a cultura americana, vista pelo lado dos imigrantes e também com dicas bem legais para os que querem vir morar.
    Só gostaria de fazer uma correção (talvez eu tenha digitado errado) o nome do condado é Garrett County e não Garret (para facilitar os que quiserem fazer pesquisas, se bem que o google corrige rsrsrs).
    Uma ótima semana para vocês!

  3. Adorei a reportagem. Maryland é um local belíssimo. Friendsville é super tranquilo. Para quem gosta de tranquilidade esse é o lugar.

  4. Ola Maria.. imagina, obrigada voce por participar com suas dicas e pela correcao. Seu blog tem dicas de viagens muito bacanas. Recomendo pros leitores daqui que querem viajar pelos EUA e pelo mundo.

  5. ola Rodinei. Muito obrigada por acompanhar o blog, vou dar mais dicas de ingles aqui. Prepare-se sim e sucesso!

  6. Conheci maryland é bonita annapolis uma graça Baltimore fui na universidade jonh Hopkins uma beleza

  7. Eu sou ,carioca e paulista estou aqui ha 23 anos Então,28 anos carioca , 23 anos paulista.conheço toda SP RJ não.muito pouco.vc tem canal youtub ,sksp whatsapp meu zapp quero falar vc no pv

  8. Pr, você quer entrar em contato com a Maria? Você pode falar com ela no blog dela, deixei um link no topo da entrevista e ela tem uma pagina no facebook, link no final da entrevista. Mande uma MP nno facebook pra ela.

  9. Ola Maria. Gostei de sua entrevista ainda mais porque conheci nao ainda pessoalmente um rapaz dai George e se ele estiver falando a verdade em breve estarei i do morar ai.. Sou do interiror de Sp e pelo que vc fala em sua entrevista Maryland eh uma cidade tipica de interior. . obrigada.

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